esta noite adormeci a olhar para nuvens
nuvens alaranjadas no céu de Lisboa
sempre em movimento, a dançar um slow
a deslizar para Norte
enrolam-se, dividem-se, mudam de forma
sempre de resultado imprevisível
tocam-se brevemente, quase parecem acariciar-se
contorcem-se farrapos laranja pálido
sobre um manto mais espesso que parece estático
parece denso, fofo
imagino-me inevitavelmente a deitar-me sobre ele, sentir uma textura morna, reconfortante e acolhedora
imagino-me a caminhar sobre ele e apanhar boleia de uma das nuvens movimentadas
sigo-a a deslizar até sair do meu campo de visão
volto a olhar para a zona mais densa e apercebo-me das mudanças no contorno
sei que tudo está em constante movimento
que cada nuvem é irrepetível
que cada momento é irrepetível
e poderia fazer uma qualquer analogia entre as nuvens e a vida
mas é um bocado lamechas
e tenho demasiado sono para isso agora
alter ego
22.1.10
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